sábado, 14 de julho de 2007
Queimando o livro (até a última ponta)
Americana maluca lança livro em que diz, entre outras coisas, que na primeira transa as mulheres só devem fazer papai-e-mamãe. E também aconselha que as mulheres enganem os homens. Faça respiração de ioga para ler esse texto
Nunca um livro causou tanta indignação na equipe da TPM como Pense como um homem e conquiste o seu, de Giuliana DePandi. Prontas para as pérolas? "Não se mostre muito interessada em crianças, bebês e cachorrinhos. Não fique toda melosa - ele vai achar que você está louca para ter um filho." E, na dica 24, assusta de novo: "Na primeira transa, não faça nada ousado demais. Você vai ficar parecendo uma vadia. Fique no papai-e-mamãe o máximo possível... Sempre que ele tentar alguma coisa ousada, diga a ele que está com vergonha, assustada ou que aquilo parece 'indecente'. Sim, finja que você é frígida, não goze, não aproveite. Homem não gosta de mulher que gosta de sexo e o que importa é agradá-los para conseguir casar, nos ensina a autora deturpadora! "Nunca, de jeito nenhum, beije no primeiro encontro" (bem, então não é primeiro encontro). A pior de todas: "Não termine o namoro, a menos que tenha outro em vista." Ela diz que a gente deve, enquanto está namorando, ter um substituto em mente. Claro, esse homem estepe deve ser mais gostoso (ou mais rico) que o anterior. Vamos queimar este livro com toda a nossa ira!
*Nina Lemos, para TPM nº67
Se a minha mãe falasse inglês, eu teria certeza que ela andou conversando com essa tal de Giuliana. Será que elas se falaram em francês? É bem verdade que há anos mamãe tenta me ensinar algumas dessas regrinhas. É mais verdade ainda que no final da conversa eu sempre acabo fazendo o que quero, mas admito que muitas vezes o que quero é segui-las. Não porque esteja querendo conquistar o mané, mas porque simplesmente não rolou clima suficiente para um beijo no primeiro encontro (e isso não significa que não vai rolar no segundo); porque crinças e cachorrinhos não me interessam at all, já bebês é outra história; porque às vezes eu realmente fico com vergonha quando os meninos tentam algo ousado (e até tenho ataques de riso); porque são tantas as vezes que tenho preguiça de explicar pro cara que não concordo nadinha com o que ele está falando, que prefiro concordar do que entrar numa discussão infinita, que possa até desagüar no fim do namoro. E aí ferrou, porque como sou uma das pessoas mais monogâmicas que conheço, nunca tenho um estepe. Ou pelo menos, nunca SEI que tenho um estepe.
Otras cositas más que mummy tenta me ensinar há 24 anos e que eu teimo em não aprender: Mulher baixa deve sempre andar de salto alto, mas meus pés não agüentam. Mulher não deve ir a programas com a mesma roupa do trabalho, antes de ir, deve sempre passar em casa para tomar um banho. O que ela não entende é que o trio hora extra, não remunerada, é claro, + trânsito + túnel ou niemeyer não permite. Mulher que é mulher não vai a encontro de alguém, esse alguém sempre deve buscá-la em casa. No encontro, assim como em festas, mesmo que esteja com muita fome, a moçoila não deve se alimentar, nem beber. Mesmo se estiver muito irritada, é expressamente proibido levantar a voz ou ser de alguma forma ríspida. Mulher não fuma em pé (vai entender?!). Mulher não deve ganhar ou trabalhar mais do que o homem, nem ter muita opinião sobre nada. A frase "Sim, meu amor", seguida de um leve sorriso entre os lábios, bem no estilo Monalisa, deve ser a frase mais usada por uma mulher maravilha. O dinheiro de uma mulher não deve ser gasto em livros, mas sim em acessórios e roupas. Mas atenção: roupas da Maria Bonita Extra, modelitos com volume ou que sigam muito a moda, não valem. Homem gosta mesmo é de mulher clássica, e nos piores casos cafona, já que preferem as roupitchas apertadas. Mulher com M maíusculo deve sempre estar com cabelos penteados, unhas feitas, cheirosa, maquiada e com a depilação em dia. Não importa se você acabou de passar duas semanas na Amazônia: se você não é macho essas são apenas algumas de suas obrigações. Aliás, Amazônia só se for em hotel 5 estrelas.
quarta-feira, 11 de julho de 2007
De bolo de laranja, nem as formigas gostam OU O mistério das formigas gigantes
:: Ao contrário do que dizia a escritura na parede do Les Artistes, as formigas gigantes gostam muito de bolo de laranja. E eu também, principalmente se tiver aquele açúcar por cima. Devo ser uma formiga gigante. Aliás, nunca mais comi um bolo de laranja como o do Vicente.
:: Lembrei: Querida, encolhi as crianças.
sábado, 7 de julho de 2007
O grito
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Depois do rosa blush, a moda é azul bic
Quando a gente menos espera vem uma poerinha e cai no nosso olho, mudando todos os conceitos primordiais da visão humana. Essa é a principal lei de Murphy, toda partícula que voa encontra um olho. Mas para isso o olho deveria estar aberto. O meu nem tava tanto, acho que tava piscando, mas mesmo assim a micro-partícula entrou. Desde então nada tem sido o mesmo. Ainda estava bem cedo quando decidi sair de casa usando os óculos de grau, aqueles mesmos que uso para ficar em casa. Virei a esquina e lá estava ele. Aposto que só porque estava usando os tais óculos caseiros, só porque a poerinha entrou no meu olho, só porque o mundo tem se mostrado diferente nas últimas semanas. E logo agora, que eu já esquecera de procurá-lo em cada esquina, de o confundir com cada corpo moreno correndo na praia, com cada olho verde, com cada risada gostosa, aperto carinhoso, beijo molhado. Já tinha até esquecido como era bom deitar em seu peito, o Flamengo já estava perdendo a importância e Jeeps não chamavam mais tanta atenção. Tudo estava ganhando mais cor, as lentes de contato tinham ficado ao lado da pia do banheiro. Passei longe, camuflada entre as cores da cidade aos primeiros raios de sol da manhã. Não dá para usar óculos escuros por cima de óculos de grau. O fundo dos meus olhos doem com a luminosidade do dia de sol. Acho que não estavam mais acostumados a tantas cores. Meu segredo é ter olhos verdes e ninguém saber, como a Clarice. As imagens ainda estavam meio turvas devido a claridade da vida nas últimas semanas, mas mesmo assim eu consegui ler a contracapa daquele livro perdido naquela mesa cheia de livros. No topo da pilha de cores. Capas coloridas estão na moda. Uma história de amor narrada por alguém que tenta se enviar para Anna em palavras. Alguém é a multiplicidade de si mesma, enrodilhada em nossos temores e alegrias efêmeras. Seu estado é sempre o de um equilibrio precário, como os objetos do quarto onde se encerra e gira infinitamente, como amor que busca sem cessar, como a própria existência da escrita, as palavras rudes e deslizantes expondo seus limites mas também incitando o leitor a mergulhar em sucessivos devaneios críticos com sabor de redenção. Acho que é isso. Tenho tentado me enviar a mim mesma, mas não consigo. Não reconheço o remetente, o destinatário e muito menos o endereço.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Sete razões para amar morar no Rio
Enfim, ter uma vida à la bossa nova.
sábado, 30 de junho de 2007
Dans l'ascenseur
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O meu olho arde quando fico com sono. Sei que não é desculpa, mas não tenho conseguido me concentrar em nada ultimamente. Acordo e fico enrolando na cama. Quando percebo uma hora já se passou. Tem dias que chego do trabalho e sento na poltrona do meu quarto. E quando percebo já é uma hora mais tarde. Ando tendo esse tipo de problema com o tempo. Não sei o que acontece, mas quando meu pensamento pára o tempo voa. Quando quero que o tempo passe, não consigo que o pensamento pare. Cachorro correndo atrás do rabo.
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Venho cultivando um ódio intenso pelo Pan. Pandemônio já dizem alguns. O Rio enlouqueceu e o Pan ainda nem começou. O trânsito já está uma loucura. As vitrines já estão monotemáticas. O jornal idem. A água mineral também. "Petrópolis a água do carioca". Edição especial jogos, com bonequinhos praticando esportes no rótulo. Ridículo. Nem deu pra respirar depois da Copa e ainda inventam o Pan. Verde e amarelo me dá náuseas.
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Funk music Fuck music I like fuck music I don't like elevator music I like music to fuck in the elevator Fuck me in the elevator Fuck me in the elevator :: Ménage à trois ::
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Na minha casa não tem elevador, nem no meu trabalho. Talvez por isso eu não saiba me comportar em elevadores. Nunca sei o que dizer. O elevador tem quatro cantos.
terça-feira, 26 de junho de 2007
A vida debaixo do viaduto
Você é a favor do poliamor? No futuro seremos todos a favor do poliamor. Na minha faculdade existia um movimento chamado A.T.T., aka, Amigos Também Trepam. Acho que as pessoas deveriam ser evoluídas a esse ponto. O desejo não está ligado apenas ao amor, é uma coisa permanete, o problema é quando temos que renunciar o desejo em nome do amor. Acho que com 26 anos eu tenho que querer tudo. O mundo inteiro me engole. Acho que com 25 anos eu quero só monogamia. Qual é o seu signo? Peixes com ascendente escorpião. Que isso! Nós vamos viver 100 anos! Cem anos nada, quero viver até os 60 no máximo! Temos o mesmo signo e ascendente, somos farinha do mesmo saco. É de alguém aqui esse telefone? É meu. Você deixou carregando aqui? Mas tá demorando hoje, né? essa galera não vai embora nunca. Eu só consigo escrever depois que eles vão embora. Tá uma zona isso aqui hoje. O telefone toca. A tevê fala Aproveite é sem entrada, todas as ofertas anúnciadas na concorrência. Ih, a sua matéria está aí com você? CCBB é em que página hein? Nesta sexta depois do Globo repórter, tem a volta de carga pesada. Posso pegar mais um biscoito. Olha o polenguinhoo. Esse cara da foto aqui é o Marão? Esse cara já fez ilustração pra mim no começo dos anos 90. Ele virou o que?Marrrrcellooo Maraaãooo muito talentoso! Uma leeeenda do jornal. Vou avisar a estagiária que ela deve estar pedindo para colocar coisas lá. Alguém tosse. Solte o seu medo bem devagar, chegue perto de mim. Posso pegar mais um biscoito? Pode, só comi três mesmo. Senta aê, toma um café. Aonde você conseguiu esse biscoito aí? Com ele, quer? Esses muleques ganharam a maior grana, venderam uma parte da empresa para aquela loja. Eu sei. Eles não te contaram? Contaram, mas eu tive que cortar 75% da matéria, acabei perdendo detalhes importante. sete meia dois oito. Qual foto? Coloca a foto de Santa Teresa aê. Se eu for pra lá pra ser fritado... Eu tinha pedido exatamente esse corte na foto. Mas ele não quer. Não quer por quê? Mas aqui ele não trocou nem chamada nem nada. O que é matéria? É a confusão. Aí ele fez as nossas chamadas. A chamada tá cortando. É a rotatividade. De namorados?
Utopia seria não precisar cortar as palavras pelo simples fato de não precisar delas.