quarta-feira, 20 de junho de 2007
Nunca pulei de asa-delta
Não realizo trabalhos voluntários, mas quando tenho a oportunidade escrevo matérias que os divulguem. Não acumulo nada. Quando compro uma camiseta, dôo outra. Quando ganho um tênis, dôo um sapato. Às vezes procuro uma roupa e quando lembro já doei. Não dou dinheiro para crianças carentes na rua. Uma vez ofereci um biscoito e ela não aceitou. Também não pago flanelinhas. Muito menos se eles já aparecem exigindo cinco real pra dar uma olhada aí tia. Frequentemente bato boca com eles. Uma vez o cara da rua do BB Lanches mandou eu nunca mais voltar lá. Teve outro em Copacabana também, mas esse lembrou de mim quando eu voltei. Desde então, tento não passar por aquela rua, e quando passo, não paro no sinal NUNCA. Mas olho pelo retrovisor e sempre tenho a impressão que ele está fazendo sinais obscenos para mim.
Subi a Rocinha de moto-táxi. Lá no meião meus olhos encheram de lágrimas. Lá onde os carros não passam, crianças brincam descalçadas no esgoto e famílias inteiras moram no espaço entre a laje de um barraco e o piso do outro. Fiquei com medo quando visitei uma casa lá no topo e vi de longe a minha no horizonte, rodeada de verde. Fiquei caustrofóbica ao notar tantas casas empilhas com vista para o clube de golfe do qual sou sócia. Não tive medo quando três moleques de quinze anos passaram por mim carregando fuzis e gritando Sai da frente! Senti culpa. Comprei um pedaço de bolo de fubá numa venda lá mesmo. Sob o olhar duvidoso da vendedora, comi o pedaço inteiro. Questão de orgulho. Mas nunca mais cruzei o túnel da mesma maneira. Apesar de achar a Rocinha linda à noite - é como olhar através de uma lente de aumento o mais estrelado dos céus. Também quase abandonei tudo quando deduzi porque o complexo da Maré deve se chamar Maré. Lá de dentro, olhar para a favela é como olhar para o horizonte. Em todos os sentidos. Quase abandonei a minha casa com vista pro mar, o meu edredom de pena de ganso, o meu arroz de pato com laranjas carameladas e me dediquei exclusivamente ao projeto Uerê. Também quase abandonei a cidade grande para morar com comunidades carentes do interior do Maranhão.
Não faço meditação, mas faço questão de ficar sozinha em silêncio durante pelo menos meia hora por dia. Gostaria de poder contar que fiquei em um monastério por quatro anos. Ou que fui criada por lobos. Ou que nasci numa tribo indígena no interior da Amazônia. O máximo que posso confessar é que fui completamente apaixonada por um namorado filósofo de dreads durante dois anos, saí de casa e peguei carona na estrada para Lumiar. Abri mão dos bens materiais, mas depois de um certo tempo, não agüentei e cedi. Não faço ashtanga em centros de yoga, quer dizer, yôga. Pratico poweryoga na academia e depois vou direto para o spinning. Já fui na umbanda, no centro espírita, no daime, em missas aos domingos e cerimônias de barmitzva. Acredito em pensamento positivo, na força do desejo, em sinais e no poder da mente, mas tenho preconceito quanto a livros de auto-ajuda. Acredito que tudo se aprende com a prática.
Tenho uma garrafinha de água no trabalho, é pet, mas pelo menos economizo em média dez copos descartáveis por dia. Sempre recuso sacolas de plástico. Geralmente a minha bolsa é grande o suficiente para levar todas as baboseiras em que eu gasto o meu suado dinheiro. No http://www.iniciativaverde.com.br/, estimei a quantidade de gás carbônico que emito por ano. Penso que se eu contratar a empresa para plantar por mim todas as árvores suficientes para repor o meu gasto de CO2 me sentirei menos culpada. Custa R$12 a unidade. Há quem diga que o início do século 21 é marcado pelo atentado às Torres Gêmeas. Fico com o outro grupo, que acredita que o século 21 começou em 2001, quando cientistas do mundo inteiro se reuniram no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) para anunciar ao mundo que a culpa do aquecimento global é nossa. Me sinto bem por pelo menos me sentir culpada. É como fazer análise: já tenho consciência, só falta agir.
"Curioso es que la gente crea que tender una cama es exactamente lo mismo que tender una cama, que dar la mano es siempre lo mismo que dar la mano, que abrir una lata de sardinas es abrir al infinito la misma lata de sardinas", Julio Cotázar
domingo, 17 de junho de 2007
Do outro lado da tarde
... nos encontramos completamente despreparados para esse encontro. E digo despreparados porque sei que você não me esperava, da mesma forma que eu não esperava você. Certamente houve, porque tenho a vaga lembrança - e todas as lembranças são vagas, agora -, houve um tempo em que não nos conhecíamos, e esse tempo em que passávamos desconhecidos e insuspeitos um pelo outro, esse tempo sem você eu lembro. (...) às vezes eu me espanto e me pergunto como pudemos a tal ponto mergulhar naquilo que estava acontecendo, sem a menor tentativa de resitência.
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Online
E se nós continuarmos assim de conversinha e de repente... meu coração tropeça só de pensar. E se entre sorrisos e brincadeiras nos perdermos sem perceber? Nos perdermos no tempo que não mais perceberemos passar. Ou quem sabe nas palavras escritas. Ou nos corpos em fusão. O que devo fazer ao ver essa luzinha azul piscar na borda da tela? Te digo oi e sigo em frente? Ou paro aqui um pouquinho para ficar presa até o resto do dia, pensando que você está aqui comigo. Do outro lado dessa linha virtual. Prestando atenção em mim. De que maneira? Quem saberá dizer. Vem aqui me convencer? De que fomos feitos um pro outro. Que o nosso passado existiu apenas para nos juntar. E daí se o passado for empecilho? Para crescer temos que seguir a trilha direcionada pelo medo. Afinal, o aprendizado nasce da superação. E eu estou com muito medo de você.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Último suspiro
Dia seguinte. Acordo com o despertador tocando as seis da manhã. O rompimento se materializa no último suspiro que ainda restava me sendo devolvido em uma pasta de plástico. Mas um dia de trabalho. Eu, já discrente de tudo, dirijo para casa após mais um dia de Rio Comprido. Tenho que parar o carro por causa de um sinal fechado. Teoricamente, isso seria mais uma amenidade do meu dia repleto de dores de cabeça. Mas não. Surgia a luz no fim do túnel no dia dos namorados. Eu parei no sinal vermelho exatamente atrás de um carro verde com uma placa em que se lia MG - Boa Esperança! Aonde eu quero chegar? Exatamente ali, em Boa Esperança. Aquela frase (para mim era mais que um nome de uma cidade mineira) estava estampada na placa do carro parado na minha frente neste dia desesperançoso. Naquele momento entendi que o universo se comunicava comigo. Aquele alento divino me acalmou as nove da noite em pleno dia dos cartões Eu te amo! E assim, eu fui salva, aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo.
terça-feira, 12 de junho de 2007
Tudo certo como dois e dois são cinco
domingo, 10 de junho de 2007
Casamentos perfeitos: a influência da vida pessoal na profissional
sábado, 9 de junho de 2007
Coletivos
No desfile da caprichosa publicitária que faz calcinhas e também roupas, o show começara antes mesmo de ter se iniciado de fato. Enquanto nos acomodávamos em nossos lugares, viam-se na passarela cortinas gigantes feitas com tecido do tipo florido à la vó. Já se notava o tom lúdico que iria reinar durante o espetáculo. As cortinas se abriram, e voilá, o desfile começou. Enquanto nos embalávamos ao som de uma canção romântica de Roberto Carlos, aparecia no fundo da passarela um imenso balanço. A modelo que se balançava, desceu, e começou a caminhada.
Nas roupas, as estampas deflagravam o tema. COLETIVOS! E surgiam os vestidos incríveis, uns com inúmeros pássaros voando, outros com uma manada de zebra que mesmo ali paradas movimentavam o meu pensamento. As roupas apareciam e animavam as minhas fantasias. Até porque, eu estava ali, as vésperas do dia dos namorados, completamente embriagada daqueles coletivos que apareciam lindamente na minha frente. Para fechar com chave de ouro, Alessa apareceu linda e loura (morena), se balançando. Depois, correndo feito uma artista circense, ela veio para frente dos fotógrafos com sua blusa com os dizeres em letras garrafais: The End.
Lindo , lindo , lindo! Um simples desfile, a princípio nem tão bom assim, com modelos nem tão bonitas assim, se transformou em um show bem bom assim. Quando saí, percebi os casais que se abraçavam, as pessoas que sorriam. Talvez ninguém tenha se dado conta, mas eu tenho certeza que os coletivos andaram penetrando no imaginário de todos . É isso. The End.