quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
É preciso se lembrar
Primeiro é preciso se lembrar como se faz. Escrever.
Não foi a primeira vez que entrei na casa de alguém que não conhecia. A profissão exige. Entrar na casa de um estranho à tarde pode ser bem invasivo. Ainda mais quando não se está sendo esperado. Ainda mais quando é hora do almoço, quando alguma coisa está no fogo, quando tem bife, arroz, feijão e batata. Quando a luz entra pela janela e bate direto no sofá. Quando é verão e tem brisa. Quando há gatos que, como fantasmas, aprecem sorrateiramente. É preciso chegar à tarde, sem avisar, na casa de quem não se conhece, para de fato capturar a atmosfera. Nada foi preparado. A moeda repousa no cinzeiro. O telefone antigo não toca. Dvds estão empilhados ao lado da televisão, um par de tênis seca na varanda e há roupa no varal. Não que fosse ser diferente, mas é preciso. É preciso esperar por uns 20 minutos na casa de alguém que não te conhece para entender o que se passa. Nunca sente direto no sofá, nem que ele seja de couro, nem que tenha mil almofadas coloridas, nem que tenha apoio para o pé e uma pilha de livros ao lado. É preciso sentar-se de frente para a porta, caso alguém chegue desapercebido. É preciso não cochilar. É preciso olhar cada detalhe, afim de se entender o que se passa na casa de quem não se conhece.
sexta-feira, 23 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Você me dá um minuto?
Você me dá um minuto? Talvez seja preciso um pouco mais. Só pra gente colocar o papo o dia, quem sabe voltar a se conhecer. Preciso te mostrar o meu novo passo de dança. Você vai se surpreender. Ele é meio desajeitado, sem dois pra lá, dois pra cá, só vendo mesmo pra entender. Tenho experimentado umas coisas novas e cheguei a pensar em comprar uma moto, depois a ideia evoluiu para uma bicicleta e como todas as coisas que vem da minha cabeça, eu acabei indo a pé. Eu ando a pé agora, sem parar. Às vezes ando em círculos, às vezes sem destino. Aproveito o tempo livre para andar. Não tenho ido muito longe, fisicamente, quero dizer. Ando estudando o mundo e às vezes é como se eu nem estivesse aqui.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
O dia em que me preparei para te fazer feliz
Eu me preparo.
Ponho e tiro coisas do armário.
Dobro e redobro os lençóis em simetria perfeita. (O nosso amor merece a perfeição).
Tiro a poeira das xícaras guardadas. Sopro com força o tempo no prato. (O nosso amor merece força, e esperteza).
Eu me preparo.
Assino o meu nome e o seu, mil e uma vezes.
Faço listas intermináveis. Os convidados da nossa festa, os copos da nossa casa, as cores do nosso sofá, os restaurantes da nossa viagem, os lugares que vamos visitar. (O nosso amor merece sonhos).
E eu espero.
E às vezes eu reluto.
E às vezes eu me jogo.
Mas eu me preparo. E mais uma vez tiro tudo do armário. E escrevo listas infinitas.
Numa rotina constante, cíclica, em que o meu mundo gira em torno do seu.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Mudanças radicais paralisam
Já mudei algumas vezes de casa, tantas de trabalho (é quase a mesma coisa que casa), mudei até de vida outras vezes, ainda assim, paraliso. Ninguém adoece sozinho, você sabe. Um vai virando o outro, o outro vai virando um, e quando percebe-se não se sabe mais quem é quem. E eu sei que você quer me esganar. Eu sei que existe uma outra vida lá dentro, que as vezes tudo se perde, se confunde. É como eu disse, paralisa.
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