domingo, 22 de junho de 2008

My foolish heart

Natural que o domingo amanhecesse chuvoso. Às 10hs, a névoa que me obrigava a acender os faróis como se já fosse noite combinava com os olhos emocionados de Johnny Alf na capa do Segundo Caderno e com a voz de Fernanda Takai cantando Nara Leão no cd do carro. A chuva fina, contínua em sua tristeza indefinida, me alcançava. Eu encolhida dentro de mim mesma. Caramujo de volta à concha. Quando o refrão daquela música do Radiohead, aquela que diz "I'm not here / This isn't happening" começa a se repetir como disco arranhado lá no fundo da cabeça, é hora de deixar cada um no seu quadrado e voltar-se para dentro. No caminho de volta emprestei dois livros: o que a Adriana Lisboa assinou para mim ao dizer "Mais um, hein? Gostou desse?"; e o outro, que deitada em uma rede, li a quatro olhos (mais íntimo que escrever a quatro mãos), e sobre o qual escutei a quatro ouvidos (por que éramos um só) o Paul Auster falar na Flip (na época em que a feira ainda não atraia tanta gente). Emprestei e fui. Não sei para onde. Não sei. Virei a esquina. A sensação de que estava sendo filmada e que a vida poderia ser um filme permanecia. Um filme cheio de pequenos detalhes, gestos incompreendidos, parágrafos inteiros ditos com o olhar (mesmo quando o rosto sorri, o que importa é o olhar). Fui por inteiro a minha melhor opção disponível. Quem se acha tão born to be não entende que sabedoria é saber escutar. Hoje quero somente esquecer, quero o corpo sem qualquer querer. E esse tempo cinza veio bem a calhar. Pensei, não quero mais pensar. Cansei de esperar. Agora nem sei mais o que querer. E a noite não tarda a nascer. Fria. Descansa coração e bate em paz.

***

Hamlet em 15 segundos: Entra Hamlet. “To be or not to be” (cai morto). Horácio: O resto é silêncio.

Um comentário:

Pedro Lago disse...

Não faça isso com o Hamlet.
:-)